Linguagem3 min de leitura

Meu filho fala pouco: o que é normal e quando investigar

Poucas coisas são tão comparadas entre famílias quanto as primeiras palavras. A variação normal é enorme e, ao mesmo tempo, existem sinais concretos que não convém deixar passar por causa da idade. Separar os dois evita tanto o susto desnecessário quanto a espera demais.

Quando a maioria das crianças começa a falar?

Por volta dos 12 meses costumam surgir as primeiras palavras com intenção, mesmo que difíceis de entender. Antes disso já existe balbucio com entonação, que faz parte do mesmo caminho.

Perto dos 18 meses o esperado é um punhado de palavras que cresce rápido e muita comunicação por gestos: apontar, puxar pela mão, entregar objetos. Nessa idade os gestos valem tanto quanto as palavras.

Por volta dos 24 meses aparecem as combinações de duas palavras: "mais água", "papai não". Essa junção costuma ser um indicador melhor do que o número exato de palavras.

Quando procurar um especialista?

Alguns sinais pedem avaliação em qualquer idade: não responder ao próprio nome, não apontar para pedir ou compartilhar, perder palavras que já dizia, ou não olhar para o rosto quando falam com ela.

Também vale procurar se aos dois anos não combina duas palavras, ou se a família próxima quase não entende o que ela diz.

Procurar avaliação não significa que há um problema. Na maioria das vezes termina em tranquilidade e, quando não, a margem de ganho é maior quanto antes se começa.

O que realmente ajuda em casa?

Falar sobre o que está acontecendo agora. Narrar o que a criança olha ou faz entrega linguagem colada à experiência, que é como ela se fixa melhor.

Devolver ampliado o que ela disse. Se disse "água", você diz "você quer mais água". Não é corrigir, é acrescentar uma peça.

E esperar. Depois de perguntar, contar até cinco em silêncio dá tempo de produzir algo. Os adultos costumam preencher o espaço antes de a criança começar.

Fala pouco ou é difícil de entender?

São duas coisas diferentes. Uma criança pode ter muitas palavras e pronunciá-las mal, ou poucas palavras bem claras. A primeira é questão de fala; a segunda, de linguagem.

Como referência aproximada, aos dois anos a família entende a maior parte, e por volta dos quatro anos alguém de fora também entende. Se não é o caso, é motivo de avaliação.

Na dúvida, anote por uma semana o que ela diz e quem entende. Esse registro vale mais na consulta do que qualquer impressão geral.

O que fazer enquanto espera a avaliação?

Siga com o que já funciona: ler, cantar e conversar bastante. Não é preciso material especial e o dia não precisa virar sessão de terapia.

Reduza as perguntas de prova. "O que é isso?" repetido cansa; comentar em voz alta o que vocês estão vendo produz mais linguagem do que interrogar.

E evite comparar com outras crianças da mesma idade. Aos dois anos a faixa normal é tão larga que a comparação informa pouco e desgasta muito.

Perguntas frequentes

Entende tudo mas não fala, é bom sinal?
Boa compreensão é um dado favorável, mas não substitui a avaliação se aos dois anos não combina palavras. Compreensão e produção são avaliadas juntas.
Crescer com dois idiomas atrasa a fala?
O bilinguismo não causa atraso de linguagem. Ele distribui o vocabulário entre duas línguas, então na avaliação se somam as duas.
Devo tirar a chupeta?
O uso prolongado ao longo do dia pode influenciar a articulação. Raramente é a causa de vocabulário pequeno, mas limitar à soneca e à noite é razoável.

Fontes

Continue lendo

E se fosse a sua voz lendo?

O BabySteps cria histórias em que seu filho é o protagonista e as narra com a voz que você mesmo grava. Fonética e números também.

Mais guias

← Todos os guias

Estas são informações gerais sobre criação de filhos, não orientação médica nem diagnóstico de desenvolvimento. Se o desenvolvimento do seu filho preocupa você, converse com o pediatra ou com um especialista.